Formatos e Exemplos

Formatos e Exemplos de Facilitação Gráfica e Colheita

Esta sessão tem como objetivo esclarecer o que é e o que não é Colheita, o que é e o que não é Facilitação Gráfica, com base em formatos e exemplos bem conhecidos.

Antes de mais nada, uma primeira definição importante:

Muito mais do que o formato final, o que define a Colheita e a Facilitação Gráfica é seu processo de produção. São requisitos indispensáveis para que um registro seja considerado Colheita ou Facilitação Gráfica:

  • que seja feito em tempo real;
  • que esteja visível a todos os participantes, preferencialmente durante a produção;
  • que busque a documentação daquilo que é de fato relevante para o processo;
  • que centralize todas as informações importantes num mesmo suporte;
  • que tenha sido validado pelos participantes (tanto em seu conteúdo, quanto em sua abrangência).

Passamos a analisar alguns registros conhecidos, para descobrir em que medida eles podem ser considerados Colheita.

Mapa Mental (Mind Map)

O Mapa Mental (Mind Map) ou Mapa Conceitual é um mapeamento gráfico de ideias que parte de um tema principal, colocado no centro do mapa, do qual vão sendo derivadas idéias relacionadas, divididas segundo categorias que façam sentido para seus autores. Criado um novo ramo, uma ideia chave é acresentada e desta ideia podem sair ideias filhas, numa organização que parte do geral para o (cada vez mais) específico.

A aparência final de um Mapa Mental (Mind Map) se assemelha ao desenho de raízes, galhos, vasos sanguíneos ou nervos, sendo muito comum a utilização dessas metáforas para decorá-los. Existem também softwares que auxiliam na organização dos tópicos, facilitando a mobilidade e o reagrupamento das itens, se necessário.

Abaixo estão alguns exemplos de mapas mentais que podem tornar o conceito acima mais claro.

Mapas Mentais podem ser considerados Colheita (ou Facilitação Gráfica)? Dependendo do processo de produção, podem sim! Se o Mapa Mental for sendo montado a partir de uma conversa ou reflexão em tempo real, de forma visível, eliminando informações que não sejam relevantes para o processo, centralizando o essencial num mesmo suporte e cuidando para que seu conteúdo seja validado pelos autores, então é Colheita, com certeza. Se ainda utilizar intencionalmente a linguagem visual para potencializar o registro e a associação de idéias, é Facilitação Gráfica!

Só é importante não restringir a Colheita e a Facilitação Gráfica ao formato de Mapa Mental. Existem muitas outras possibilidades, com maiores ou menores vantagens dependendo de sua aplicação. Além das existentes, uma infinidade de outras podem ser criadas. Intuição, imaginação, criatividade e arte são sempe muito bem vindas em se tratando de Facilitação Gráfica e Colheita!

Ata de Reunião

Uma ata de reunião, apesar de inquestionavelmente ser o registro de uma conversa, não pode ser considerada Colheita (e muito menos Facilitação Gráfica, por não apresentar qualquer intenção de explorar a linguagem visual para potencializar entendimentos). A atas se prestam a um outro papel muito diferente do da colheita, mas também muito importante: documentar com todos os detalhes possíveis o andamento e as decisões finais de uma dada reunião, para posterior consulta.

Uma ata não pode prescindir de nenhum detalhe, enquanto a colheita pretende documentar apenas o essencial, justamente para facilitar a objetividade no acesso àquelas informações que poderão levar o grupo a um novo patamar de consciência e aprendizagem.

Analisando a ata em relação aos demais requisitos da Colheita, percebemos que dificilmente a Ata é construída em tempo real ou de forma visível a todos os participantes, ainda que a tecnologia atualmente permita que isso seja feito, com a ajuda de um microcomputador e um projetor. A validação pelos participantes, sim, é uma exigência. Entretanto, o fato da Ata de Reunião compartilhar de algumas características comuns com a Colheita não faz dela Colheita, pelos motivos explicitados inicialmente.

Ata de Reunião e Colheita tem papéis complementares e ambas podem ser realizadas numa mesma reunião. A ata garantirá que cada detalhe ou combinado esteja documentado e possa ser cobrado ou questionado posteriormente. A Colheita (e a Facilitação Gráfica, por que não?) contribuirão para que o grupo cresça no processo, melhorando a qualidade das conversas seguintes.

Anotações no caderno

Em situações muito específicas anotações no caderno podem ser consideradas Colheita (ou até mesmo Facilitação Gráfica!).

Se estamos falando de uma reflexão individual, de uma conversa em dupla ou trio, ou ainda de um caderno que esteja sendo filmado e projetado para uma grande audiência com o propósito de colher a essência de uma conversa ou de um diálogo interno, numa relação em que os produtores do conteúdo possam validar ou alterar o registro se necessário, há grandes chances de essas anotações serem uma Colheita. Se existe uma preocupação em explorar a linguagem visual para tornar o registro ainda mais eficaz e interessante, então podemos chamá-la de Facilitação Gráfica.

Não é Colheita se cada pessoa anota conteúdos em seus cadernos se que eles estejam visíveis para ninguém, sem que a preocupação maior esteja em colhe a essência do que se está expressando, sem a intenção de que esta anotações sejam um retrato daquilo que houve de mais relevante na produção coletiva.

Também deixa de ser Colheita tudo aquilo que contenha impressões e julgamentos individuais não trazidos para o coletivo, que modifiquem, distorçam ou manipulem o resultado das discussões. Isso é totalmente permitido em anotações pessoais, mas totalmente inadequado em se tratando de uma Colheita (basta lembrar que um requisito da Colheita é que ela seja validada pelo grupo).

No caso das reflexões individuais, basta que as anotações sejam significativas e focadas no objetivo a que o autor se propôs (apenas aquilo que realmente importa) e será grande a chance de sim, ser uma Colheita!

Vídeo

Chegamos num formato dificil de ser analisado como sendo ou não sendo Colheita. Mesmo entre os profissionais de colheita, há divergências. Cada caso é realmente um caso em se tratando de produções audiovisuais.

Em algumas coisas, todo mundo concorda: certamente a gravação integral de uma conversa, resultando num material bruto (não editado), não é Colheita.Um vídeo que não tente captar a essência de um processo ou conversa também não é Colheita.

Minhas maiores divergências em relação ao vídeo como Colheita é que o que mais comumente vejo são vídeos que resgatam os principais momentos de um determinado processo – que são uma bela lembrança para os que dele participaram – mas raramente encontro vídeos que colham o conteúdo, o que gerou ou pode gerar a tal mudança no patamar de consciência / compreensão.

Ou seja: não é impossível que o vídeo seja uma Colheita. Mas considero este um dos métodos menos amigáveis de colher e reunir o que realmente importa (e mais arriscado a nos levar para outros caminhos que não o da essência).

Desenhos e outras metáforas visuais

Esta modalidade é uma das minhas preferidas e é alma da Facilitação Gráfica.

Transformar a essência de uma conversa ou reflexão em desenho é um desafio de síntese que, se bem resolvido, gera uma identificação imediata com os participantes, além de contribuir muito para a memória e para o estabeecimento de novas associações de ideias que, por sua vez, podem desecadear outras aprendizados e expansões de consciência.

Claro, para cumprir este papel, o desenho não pode ser uma simples decoração. Também não deve ter como foco fazer humor ou brincadeira com o que está sendo dito. O foco da Colheita, que é capturar a essência, deve sempre estar presente, senão não é Colheita.

Abaixo estão alguns exemplos de desenhos ou metáforas visuais que eu considero boas colheitas.

Retrato da fragmentação no presente / Desejo para o futuro

Caminho para a transformação

Não precisam ser obras de arte, ter o melhor traço ou a melhor técnica. Precisam estar comprometidas com a missão de retratar a essência das conversas (e fazê-lo com maestria).

Poemas e Músicas

Uma ou duas vezes tive contato com poemas e canções que tinham como finalidade capturar a essência de uma conversa (e que de fato conseguiram realizar seu intento).

Quando este objetivo é alcançado, estes são formatos que proporcionam uma imensa conexão e tocam fundo nos corações.

Não são formatos fáceis, mas os considero menos traiçoeiros do que o vídeo, pois carregam a busca pelo significado profundo como uma característica forte.

No link http://www.dulwichcentre.com.au/songs.html é possível baixar algumas das músicas (em inglês) que considero das melhores Colheitas que já ouvi – até porque foram compostas com objetvos terapêuticos. Ou seja, estavam totalmente comprometidas com a essência da conversas travadas com grupos e indivíduos.

Outros formatos

Certamente existem muitos outros formatos de Colheita que não estão retratados nessa sessão e outros tantos podem estar sendo descobertos ou criados nesse exato momento. Esta sessão nào pretende esgotar todos eles. Pelo contrário, seu objetivo é valorizar e incentivar a busca de outras linguagens que enriqueçam essa linda atividade (cuidando, claro, para que seus princípios e objetivos não sejam deixados de lado).